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ZEBUNAREDE ENTREVISTA - O TEATRO MÁGICO

 

Por: André Montandon

"Senhoras e senhores, respeitável público pagão",
 um dos projetos artísticos mais fascinantes do nosso país, O Teatro Mágico, retorna aos palcos da vida para apresentar o seu mais recente trabalho, "Luzente".

Álbum esse que rompe uma pausa de 5 anos e inaugura uma "Nova Era" para OTM, com uma sonoridade mais pop, moderna e dançante. Sendo o sétimo registro em estúdio do grupo, composta por 11 faixas, gravadas no Rootsans Studios em São Paulo, com produção de Fernando Anitelli e Daniel Santiago. Contando ainda com o respeitado engenheiro de som Rodrigo ‘Roots” Sanches, ganhador de dois Grammys Latino, que cuidou da mixagem e masterizaçãoAlém das participações especiais de Gustavo Anitelli, da cantora Nô Stopa e do rapper Renan Inquérito.

Nossa querida Uberaba não poderia ficar de fora da rota dessa novo espetáculo, sendo contemplada com mais um show intimista de "Fernando Anitelli apresenta O Teatro Mágico Voz e Violão" no tradicional espaço cultural da cidade - o Teatro Sesi Minas. 

Aproveitamos essa grande oportunidade para entrevistar o cantor, compositor, performer e mentor desse fantástico projeto, Fernando Anitelli. Que você pode conferir a seguir: 

- Conte-nos um pouco sobre o processo criativo, de produção e das participações especiais do novo disco "Luzente".

Fernando Anitelli - Bom, o processo criativo desse novo álbum, Luzente, se deu de maneira muito natural. Toda vez que a gente vai fazer um álbum, a gente pensa nas coisas que estão nos acontecendo. O que que a gente precisa falar, quais são as pautas que são importantes trazer à tona naquele momento. A gente pega essa matéria, essa ideia, começa a lapidar letras, rifs, sons e vai montando um mapa, um corpo pra música. Daí, a gente começa a fazer a produção, os arranjos. 

Eu me encontrei com o Daniel Santiago, que é um grande parceiro de longa data e que faz os arranjos da trupe. E aí a gente começa a lapidar. Opa, aqui cabe um baixo, aqui cabe uma voz, aqui cabe um rif de guitarra, enfim, a gente vai maquiando aquele mapa, colocando coisas que a gente acha interessante. Às vezes a gente sente que opa!? passou, tem que ser um pouco menos, e a gente vai então construindo a base, o mapa, o corpo todo e vai pintando, colocando ali, montando a música. Isso pronto, a gente leva pro estúdio. No estúdio a gente sempre dá um capricho a mais, tem mais peso, tem mais recursos pra poder trabalhar. E a gente já pensando, como essa música vai ficar pronta? Quem pode participar? Que voz poderia somar? Ou qual instrumento poderia ter a mais aqui que a gente poderia convidar? 

E é isso que a gente faz. A gente sempre vai conhecendo pessoas muito interessantes ao longo da caminhada sonora, e a gente tem o maior prazer de convidar sempre esse pessoal pra participar junto com a trupe nas gravações dos álbuns.


-  Fale também um pouco sobre a escolha do nome do álbum e da linda arte que ilustra a capa.  

Fernando Anitelli - A escolha do nome do álbum Luzente, surgiu justamente porque a gente estava atravessando aquele período pandêmico e o Teatro Mágico começou a fazer apresentações remotas dentro de uma sala de reuniões com vinte janelas somente. E a gente  interagia com cada janela, conversando, trocando, brincando, ouvindo as histórias. Foi um um projeto que deu muito certo. De quinta a domingo a gente ficou de abril até outubro com a agenda lotada. Esse projeto rivalizou. Saiu matérias na Folha de São Paulo, RedeTV, na Globo, SBT, enfim, foi muito bacana. E o que a gente percebia ali? Que todo mundo que participava, queria ser luz na vida da outra pessoa, queria ajudar de alguma maneira, queria ser uma faísca criativa pra que cada um ali pudesse de alguma maneira se sentir acolhido, assistido. E a gente percebeu então que era isso que a gente precisava, trazer um nome que abraçasse toda essa essa ideia que tava acontecendo ali. O Danilo Souza, meu parceiro de composição lá desde o início do Teatro Mágico falou, cara, porque não um nome que seja uma palavra só, mas que acolha tudo isso. Ele trouxe então a ideia de Luzente. Achei fabuloso! A partir daí, a gente pensou como é que vai ser a arte da capa? Então a gente entrou em contato com Elton que é um baita dum artista plástico lá de Minas Gerais, ele faz  livros infantis, coisa e tal. Conversamos com ele, mostramos cada música e pra cada música ele fez um desenho, ele fez um card. A partir daí, a gente começou soltar então pequenas pílulas do que seria essa arte, começamos a jogar na rede, coisa e tal. E assim foi feita toda a arte do álbum luzente, pensando uma arte pra cada música, e lógico no final, se você juntar todos os cards, você tem uma uma arte única, gigante. Toda linkada uma na outra. Muito bacana.

Disponível nas principais plataformas de música

- Qual a "contribuição" (se é que podemos dizer assim), que o isolamento provocado pelo coronavírus e o atual momento que estamos vivenciando (guerras, intolerância...)  impactaram para o desenvolvimento criativo do OTM?

Fernando Anitelli - Qual a contribuição que esse período que a gente atravessou e ainda atravessa trouxe pro desenvolvimento criativo do OTM... Eu sinto que tudo isso que a gente atravessou e ainda estamos atravessando trouxe pra nós um norte de que deveríamos falar sobre coisas esperançosas, deveríamos falar sobre coisas que trouxessem possibilidades, a gente tinha que trazer nos textos, nas cores, nos movimentos, no palco, nas artes plásticas que a gente estava fazendo ali pra capa e tudo mais. Sempre uma ideia de algo melhor, que a gente pode sim, vencer tudo isso que estava sendo derramado sobre nossas cabeças. Então, tem música ali que fala sobre uma questão mais existencial. Tem outras canções que são mais politizadas. Tem outras canções que são declarações de um amor, não esse amor que é raso, mas um amor que faz revolução. Então foi esse o conteúdo criativo eu acho que nos cutucou pra que a gente pudesse trazer esse aspecto todo pro álbum Luzente.

- Como está sendo esse reencontro da trupe com os palcos e o público após as restrições impostas pela pandemia? 

Fernando Anitelli - Poxa, o encontro do público com a trupe nas apresentações ao vivo está a coisa mais gostosa! Está muito bom, presencialmente poder trocar com as pessoas, cantar junto uma porção de coisa, pra além do álbum Luzente também cantar os clássicos que nos fizeram chegar até aqui. Ver sorriso, lágrima e depois ainda poder abraçar as pessoas, né? A gente nunca vai embora sem antes dar um abraço, olhar nos olhos de quem cuida da gente também. Até porque a cultura foi o primeiro setor a parar, a ser impossibilitado de trabalhar, o último a voltar, mas, não paramos de trabalhar em nenhum momento e era o único setor que ainda ofertava coisas gratuitas o tempo inteiro na rede pras pessoas. Então, agora depois das vacinas, a gente sente que é fundamental a presença, olhar nos olhos, sentir o cheiro das pessoas, isso é muito bom. A gente está feliz da vida, e não vê a hora de chegar também aí na cidade pra poder dar esse abraço!

- Para finalizar, envie um recado pra galera de Uberaba e região que estava com saudade e ansiosa para esse encontro especial no Teatro Sesi Minas.

Fernando Anitelli - Uberaba e região, pois é, nossa senhora quanto tempo!!! A gente tá morrendo de saudade, já já a gente vai tá junto. E claro, cantaremos, entoaremos, refrões, com toda força! Sim, vai ter música nova, vai ter clássico, a gente vai tá junto, a gente vai se abraçar. Convide a família, os amigos, que vai ser uma apresentação imperdível. A gente conta com a presença de vocês!


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Agradecimento especial ao nosso amigo Rodrigo Chagas pela colaboração na realização desta entrevista.

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