“NETFLIX BRASILEIRA”? TELA BRASIL PROMETE COLOCAR O CINEMA NACIONAL NA PALMA DA MÃO — DE GRAÇA — A PARTIR DE 30 DE MAIO
O audiovisual brasileiro está prestes a ganhar uma nova vitrine pública e gratuita. A plataforma Tela Brasil, serviço de streaming criado pelo Governo Federal por meio da Secretaria do Audiovisual (SAV), será lançada oficialmente em um evento marcado para às 12h deste sábado (30), na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca (RJ). A proposta é democratizar o acesso ao cinema nacional e aproximar o público de produções brasileiras que, muitas vezes, ficam fora do circuito comercial.
Concebida em parceria com a Universidade Federal de Alagoas, a plataforma funcionará como um serviço de vídeo sob demanda totalmente gratuito, com cadastro vinculado ao gov.br. A ideia é simples — e ambiciosa: transformar o acesso ao audiovisual brasileiro em uma política pública cultural acessível para todo mundo. Especialmente de produções independentes que costumam circular em festivais e mostras de cinema, mas enfrentam dificuldades para alcançar grandes audiências.
Na prática, a plataforma deve reunir curtas, médias, longas-metragens, documentários, séries e conteúdos históricos do cinema nacional em um único espaço digital. O catálogo inicial está sendo construído com obras da Cinemateca Brasileira, do CTAv, da Funarte e da Fundação Cultural Palmares, além de filmes brasileiros indicados ao Oscar e produções licenciadas por edital público.
A previsão é que a estreia aconteça com aproximadamente 561 obras disponíveis, resultado de um investimento de cerca de R$ 4,4 milhões.
Muito além do entretenimento
O Tela Brasil não nasce apenas como mais uma plataforma para assistir filmes. A proposta também mira escolas, cineclubes, bibliotecas, CEUs, Pontos de Cultura e espaços públicos de exibição audiovisual.
O projeto deve funcionar como uma ferramenta estratégica para ajudar no cumprimento da Lei 13.006/2014, que determina a exibição de conteúdos audiovisuais nacionais nas escolas de educação básica. Em outras palavras: o cinema brasileiro poderá circular mais dentro das salas de aula e também fora delas.
Entre os compromissos anunciados pela plataforma estão:
- valorização da diversidade cultural e étnico-racial;
- fortalecimento da pluralidade regional;
- preservação da memória audiovisual brasileira;
- incentivo à formação de público;
- ampliação do acesso gratuito à cultura.
Um “hub” do audiovisual brasileiro
Além do streaming, o projeto também contará com o Portal Tela Brasil, espaço digital voltado à organização de dados, memória e circulação de informações sobre o setor audiovisual brasileiro.
A plataforma estará disponível para celulares e tablets com sistemas Android e iOS, além de poder ser acessada diretamente pelo navegador da internet, sem necessidade de instalar aplicativo. O projeto também pretende reunir conteúdos sobre cinema e educação, preservação audiovisual, programação de salas, pensamento crítico, internacionalização e até jogos brasileiros. Até o momento, 16 instituições e agentes do setor audiovisual já aderiram oficialmente à iniciativa.
A iniciativa chega em um momento em que o debate sobre soberania cultural, acesso à produção nacional e fortalecimento do cinema brasileiro ganha cada vez mais espaço nas redes e entre profissionais do setor.
E convenhamos: em tempos dominados por algoritmos, a ideia de um streaming público focado exclusivamente em produções brasileiras já desperta curiosidade suficiente para virar assunto nas timelines.
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| Foto: Reprodução / Redes sociais |

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