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CHOCOCORN AND THE SUGARCANES ESTREIA EM UBERABA COM A TURNÊ OPERAÇÃO EMBAIXO D´ ÁGUA NO LABORATÓRIO 96


Por: André Montandon

Entre quilômetros de estrada, casas de show históricas, coros emocionados da plateia e uma agenda que já passou até por Argentina e Uruguai, a Chococorn and The Sugarcanes chega a Uberaba vivendo uma das fases mais intensas da carreira. A banda paulista desembarca no Laboratório 96 nesta quinta-feira, 28 de maio, com a turnê Operação Embaixo d’Água, que apresenta o recém-lançado álbum pelo selo +um HITS, Todos os Cães Merecem o Céu (2026).  A noite ainda contará com show de abertura de Estevam Serafim & Banda Cine Metrópole.

Formada em Santa Bárbara d’Oeste (SP), a Chococorn se consolidou como um dos nomes mais interessantes da nova cena alternativa brasileira ao criar uma identidade própria dentro do chamado “emo caipira” — mistura de sensibilidade melódica, experimentação sonora e vivências interioranas que atravessam tanto os discos quanto os palcos. Influenciada por bandas como American Football e Radiohead, o grupo formado por Alexandre Luz (bateria), Pedro Guerreiro (guitarra solo), Pietro Sartori (baixo) e Pipe Bacchin (guitarra base), vem transformando experiências da estrada em música, enquanto conquista públicos cada vez maiores pelo Brasil.

Foto: @biaszb

Aproveitando a estreia em terras uberabenses, batemos um papo exclusivo com eles. Na entrevista a banda fala sobre o significado do “emo caipira”, os bastidores da nova turnê, o impacto das experiências internacionais e a ansiedade para o primeiro show em Uberaba. Confira:

- A Chococorn vem transformando a ideia de “emo caipira” em algo cada vez mais único dentro da música brasileira. Como vocês enxergam essa conexão entre o interior, a estrada e os sentimentos que aparecem nas músicas? Dá pra dizer que o “emo caipira” virou também uma forma de documentar as vivências de vocês pelo Brasil e América Latina?

Chococorn and The Sugarcanes - Apesar de nosso segundo álbum nos distanciar do midwest emo, gênero estadunidense que fez parte da origem do termo “Emo caipira”, sentimos que nossa vivência interiorana ainda define muito do que sentimos e que escorre para as músicas. Talvez o “Todos os Cães Merecem o Céu”, em toda sua cor, soe tão expansivo e ensolarado justamente por conta do nosso deslumbramento a ver tanto do mundo pela primeira vez. Talvez faça parte de uma descoberta meio óbvia de que nem somos tanto do interior assim, algo que descobrimos melhor só ao presenciar tantas diversas vivências. Amamos o “Emo Caipira” e sentimos que, não importa onde estivermos esteticamente ou sonoramente, essa nomenclatura define bem nossas temáticas e ficamos muito felizes quando percebemos o quanto ele faz parte das nossas vidas para além da música. Ainda nos impressionamos muito quando vemos prédios históricos, casas de show históricas, bares citados em músicas que amamos, etc. 

- A turnê Operação Embaixo d’Água parece carregar muito essa dualidade entre desgaste e encontro, caos e conexão. Em meio a tantos quilômetros rodados, mudanças de cidade e shows intensos, qual foi o momento mais inesperado ou simbólico que essa nova fase da banda proporcionou até agora?

Chococorn and The Sugarcanes - Creio que viajar com o Vitor Brauer foi muito enriquecedor para nós. A Lupe de Lupe foi uma grande inspiração, principalmente no começo da banda. Viver essa vida louca e corrida com alguém que vive disso faz mais de uma década definitivamente foi muito enriquecedor, e as conversas que tivemos trouxeram novas perspectivas sobre várias questões pessoais e sobre a banda. Mas pra além disso, sempre vai ser emocionante ouvir coros da plateia cantando alguma música em uníssono. Isso anda acontecendo muito com “Se Isso Te Faz Feliz”. Todas as vezes ficamos risonhos, é até difícil saber como agir.

- Em Todos os Cães Merecem o Céu, dá pra perceber uma banda ainda mais madura sonoramente, mas sem perder a essência emocional e experimental da Chococorn. Como foi o processo de construir um disco que conversa tanto com vulnerabilidade quanto com expansão — inclusive depois de experiências internacionais como Buenos Aires e Montevidéu?

Chococorn and The Sugarcanes - Esse álbum nasceu com um prazo enquanto estávamos em turnê em 2025. Isso acabou fragilizando um pouco o processo criativo, o que tornou um trabalho com temas mais imediatos e com uma maior relação externa com o mundo, diferente do Siamês, nosso primeiro álbum que era muito mais introspectivo. Observamos como todas as letras escritas desde então ainda são muito reais por músicas como “Entre Algumas Vias” que fala bem sobre estar em turnê e suas implicações com a ausência nos relacionamentos durante as viagens pela banda, algo que se amplificou em Maio quando fomos para o Uruguai e a Argentina.

- Pra fechar: que mensagem vocês deixam pra galera que acompanha o Zebu na Rede e já está contando os dias pra viver esse encontro inédito da Chococorn and The Sugarcanes em Uberaba, no dia 28 de maio de 2026, no Laboratório 96?

Chococorn and The Sugarcanes - Estamos muito ansiosos para tocar em Uberaba, em especial por ser um show de estreia nosso na cidade e por ser uma cidade do interior, onde o público sempre anima muito. Vamos tocar as músicas mais queridinhas, tanto do álbum novo quanto do Siamês, montamos algo com muito carinho. Agradecemos a todos pelo interesse em curtir esse show e garantimos que vai ser muito divertido!

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